A Cannabista

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A Cannabista em si. Em 2003 ouvi de uma fonte segura, protetora e amável, que a cannabis não era tudo o que eu ouvia por aí. Porém, só me tornei uma canabista em 2019.

Antes disso, confesso que ainda havia muito receio com a planta. Afinal, como diferenciar “certo” de “errado”?

Aquilo que nos foi ensinado, muitas vezes imposto, carrega consigo preconceito enraigado, carência de empatia, crenças mal interpretadas, enfim, ignorância, que nada mais é que a falta de informações sobre o desconhecido.

Em 2020 eu me interessei pela cannabis, quando passei a sentir, talvez pela primeira vez, como se tudo estivesse bem, como se pudesse simplesmente ser feliz, cumprir com o que cabe a mim e viver o melhor que a vida tem a oferecer. 

Hoje

Hoje sou uma pessoa feliz e me sinto grata diariamente, apesar dos tropeços do dia-a-dia. A cannabis, além de medicar, também mudou algumas coisas na minha rotina (cabeça e coração) e foi meio despercebido. 

Comecei a fumar maconha com frequência em julho de 2019, dentro da casa dos meus pais, não na minha.

Tive medo de continuar por causa do meu quadro psiquiátrico, depois de conversar com o meu médico, que não é a favor da cannabis e passar a usar maconha ‘’socialmente’’ eu não parei de beber, mas eu diminuí, o álcool já foi um problema. Nesse mesmo dia ele tirou o Rivotril, que eu tomava há mais de 10 anos, eu acho, sei que tomei dose muito alta, por muito tempo.

Depois de um tempo eu também parei de tomar o cloridrato de propranolol, eu tinha tremor essencial, eu procurei um neurologista quando eu não tava mais conseguindo colocar um brinco, de tanto que minha mão tremia O remédio era barato, eu tomava dois por dia, ele fazia com que eu não tremesse mais, mas minha pressão baixava sempre (ela é ótima, e eu só me dei conta depois que parei de usar ele).

Eu comecei a fumar diariamente porque emocionalmente eu me sentia bem, mas não enxergava que estava em um processo terapêutico. Me dei conta disso quando acabou minha erva uma vez e eu fui grosseira com uma mulher, eu estava há três dias sem fumar. Com os alopáticos minha tolerância é quatro dias, e infinitamente pior a abstinência. Pesquisas mostram que o vício da cannabis é insignificante comparado aos remédios (pesquisar). Outra situação foi quando fui salva por um amigo, o produto era diferente.. e fiz algumas comparações.

Depois disso eu comecei pesquisar. Vi minha vida sendo transformada gradativamente. O interesse realmente era grande e as pesquisas eram bem abrangentes, história da cannabis, proibicionismo, a planta, strains, terpenos, cultivo, cannabis nos esportes, na culinária, interesses políticos, mercado financeiro, growshops, associações e uma lista sem fim! Pensei quem poderia ser a pessoa que planta essa GANJA que me fez tão bem, na época a única informação que eu tinha é que era uma sativa, plantada nas terras vizinhas (paraguay) era aquela que me fazia bem.. 

Eu tava muito brava! 

Mais da metade da minha vida eu usei, e ainda uso drogas prescritas por profissionais, onde eu tenho acesso à bula, doses, onde posso ser bem orientada, ‘’fácil’’ acesso, basta ter dinheiro. Eu comecei a fumar prensado e tive vários benefícios, mas eu queria mais. No Brasil não podemos como em um País legalizado ir a uma loja e falar o que precisamos, ou encontrar um profissional de fácil acesso que em várias áreas atue com a medicina canabica. Me associei à Apepi, tive acesso a um médico e a uma advogada, mas não é o suficiente.

Além de um óleo adequado eu quero saber também, através do meu quadro quais strains são indicadas, quantos mg eu posso usar por dia? (mais coisas ainda) redução de danos eu já comecei entender, eu vou continuar fumando minha erva, quero ser ‘’’direcionada’’ da melhor maneira, .. intenção de diminuir alopáticos, parar. Durante todo esse processo eu tive minha família me apoiando muito, e foi muito legal! A erva não era aceita na casa da minha mãe, não fui a primeira ‘maconheira’ da casa e agora somos a maioria. Pude pagar por uma consulta médica, pela mensalidade da associação, posso cogitar o direito a plantar minha própria erva. 

Hoje tantas pessoas ******* doenças **** poderiam se beneficiar com a cannabis, ela pode estar no nosso jardim, na grande indústria farmacêutica, (loja que vende maconha), acredito ser importante lembrarmos da realidade do outro e do outro ao levantarmos essas questões.

 E infelizmente cannabis ainda é um problema. (crenças religiosas, mitos, achismo) 

Hoje com a Acannabista, minha maior intenção é mostrar que a cannabis precisa ser olhada, assim como várias outras questões do mundo. (esse olhar vai ser passado por nós, com amor e ganja, muita informação, redução de danos, coisa legal.. <3

 

A Cannabista

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